Revolucionário. O Rage Against The Machine foi uma das primeiras bandas não-punk, a encarnar de forma tão honesta o contexto de protesto contra toda e qualquer injustiça social. Esse roteiro, parece datado nos dias de hoje, mas depois do punk rock, houve um período de silêncio, quebrado apenas nos anos 90 com uma maior liberdade juvenil, e uma transpiração roqueira proveniente da galera grunge. Mas só o RATM soube tocar tão bem na ferida, causando uma cicatriz intacta no rock de hoje em dia.
Em uma época que o rock andava fervendo em Seattle, o Rage Against The Machine decidiu atear fogo na bandeira americana. Exalando protesto em doses cavalares, Zack De La Rocha e Tom Morello lideraram uma geração rock sedenta por mudança. Rage Against The Machine, o disco, carboniza qualquer rocker que se preze. Trilha sonora perfeita para qualquer roda de pogo.
A atitude de bandas como System Of A Down é seqüela clara desse álbum lançado em 1992. Nenhum disco retrata tão bem a coragem de fazer valer o direito de opinião. O discurso claro e veemente funciona de forma mais que eficaz. Ele convence. Mas nada disso seria de fácil aceitação se o som não andasse na mesma sintonia. O rock de Rage Against The Machine é pulsante. A voz de Zack De La Rocha é uma peça cirúrgica. Ele não canta, não fala, não grita apenas. Ele interpreta – um dos maiores intérpretes da história do Rock, diga-se de passagem.
Evidente que o discurso adotado pela banda não foi muito bem visto pelo governo americano, e a banda foi proibida de se apresentar em vários estados do país. O que ironicamente, fez crescer a popularidade do grupo.
Com tantos elementos atraentes, torna-se injusta a tarefa de destacar algo nessa proposta da banda. Mas é inegável o valor de Tom Morello. O guitarrista que ficou famoso em tentar reinventar a arte de tocar guitarra - utilizando efeitos com muita qualidade -, mostra nesse disco, uma arma essencial de todos os grandes guitarristas de rock: A capacidade de criar bons riffs.
“Ao invés de ficar obsoleto eu esquento minhas mãos nas chamas da bandeira. Queime, queime, sim, vá e comece a incendiar”. Esse é um trecho da faixa de abertura, “Bombtrack”, que traz um início calculado de baixo e guitarra e explode de forma viril, trazendo o disco à toda. Seguida do hino da banda “Killing In The Name”, levada por seu riff “levanta defunto”.
“Fuck you, I wont do what you tell me” , grita Zack De La Rocha. Simbolizando de forma muito clara o quão instrumento de rebeldia poderia se tornar o som deles. E a unificação do público com a banda sempre foi um dos pontos fortes do RATM.
O álbum não perde a tônica e a banda se mostra completamente entrosada. A cozinha do grupo, formada por Brad Wilk (bateria) e Tim Bob (baixo), é excepcional. Eles sustentam com firmeza a base pesada do grupo, e possibilitam assim, a boa desenvoltura de Tom Morello – que se arrisca num solo mais melódico em “Take The Power Back” – e Zack De La Rocha.
De forma quase que messiânica, o vocalista dita os rumos a serem adotados pela molecada. Ele pede Liberdade de expressão e condução de atitudes, em um dos maiores singles do grupo: “Freedom”.
Além do som, o Rage Against the Machine sempre utilizou muito bem a imagem. Os vídeos da banda eram recheados de mensagens protestantes e agitação “on stage”. A capa do disco também não foi escolhida à toa. Ela mostra uma foto vencedora do prêmio Pulitzer de 1963, onde um monge ateia fogo no próprio corpo em forma de protesto a um movimento anti-busdista ocorrido no sul do Vietnã.
O álbum vendeu cerca de 4 milhões de cópias e se tornou um marco para o rock. Ele é presença obrigatória em qualquer lista que se preze.
Anos depois, o Rage Against The Machine partiu para um período de maiores experimentações no também excelente disco, Evil Empire de 1996. Mas a mensagem do grupo já estava dada. O que ficou provado no fim dos anos 90, com a infinita leva de bandas seguindo a mesma proposta, com maior ênfase para o Korn e o System Of a Down.
Ouça: "Bombtrack"

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