sábado, 21 de janeiro de 2012

ALICE IN CHAINS - Facelift (1990)



Quando o grunge ainda embrionava em Seattle, o Alice in Chains fazia tudo soar bem pesado. Muito pesado por sinal.

O Alice in Chains é o exemplo da banda certa no lugar errado. Seja como for, eles tiveram a sorte (ou azar) de estar em Seatlle quando a cena "aconteceu" no mainstream. E acabaram, é claro, sendo taxados de "mais uma banda grunge". Algo meio injusto, já que o tal estouro ocorreu em 1991, e esse disco em questão já tinha sido lançado um ano antes. Além das influências vindas do Heavy Metal e do Hard Rock, o Alice in Chains possuía um som muito particular. E sabe como é, nem todo mundo que tocava em Seatlle era grunge, assim como nem todo metaleiro é insensível.

Olhando Facelift - primeiro disco da banda - hoje, depois de mais de vinte anos de seu lançamento, fica claro que as influências de Black Sabbath e do hard-rock são muito mais acentuadas do que enxergamos em "Bleach", do Nirvana, por exemplo. Logo, é difícil classificar a banda como sendo do estilo grunge. Principalmente depois de eles terem acompanhado bandas como Megadeth, Van Halen, Slayer e Anthrax em algumas turnês. Entretanto, logo após a estréia do clipe de "Man in the box" na MTV, e a gravação de "SAP" - um EP com quase todas as faixas acústicas e com participações de Chris Cornell (Soundgarden) e Mark Arm (Mudhoney) - a banda se enquadrou, historicamente, entre o movimento que marcou a música no início dos anos noventa.

O ponto é que, mesmo com esse enquadramento, ao ouvir Facelift temos a impressão inegável de que sim, talvez exista alguma coisa grunge ali, mas, definitivamente, os rumos musicais do Alice in Chains são outros. Logo na primeira faixa do disco ("We Die Young") vemos Tony Iommi por detrás do riff de Jerry Cantrell, além dos vocais marcantes de Layne Staley, características essas que permeiam todo o trabalho do grupo. Na seqüência está a já citada "Man in the Box", com seu riff mais do que conhecido por quem ouvia rock pelos idos anos noventa, e talvez a música mais inclassificável da época: não é pesada o suficiente para ser considerada heavy metal, em contrapartida, pesada demais para colocá-la ao lado de outras canções marcantes do grunge. Esse talvez seja o ponto mais marcante do Alice in Chains, de que é extremamente complicado definir o som deles. O fato mais simples para a época, é que eles eram uma banda de rock pesado. Simples assim.

Outra característica forte de Facelift são as baladas que, no mínimo, fazem com que um arrepio suba coluna acima. Entre essas estão, "Bleed to Freak", "I Can't Remember", "Confusion" e "Love, hate, love", onde arranjos lentos e pesados fazem a cama para letras bem reflexíveis. Isso sem mencionar os vocais de Staley que dão às músicas o complemento exato para a criação dessa atmosfera sombria.

E ainda há faixas improváveis como "I know somethin (Bout you)", que não seria exagero dizer que é possível encontrar alguma coisa de Red Hot Chilli Peppers (?!?) por ali, ou "Put you down" que foge um pouco ao estilo visto nas primeiras faixas do disco.

Ou seja, de uma maneira geral, Facelift é o disco menos grunge de uma banda totalmente grunge. O Heavy Metal nunca foi tão grunge, e o grunge nunca foi tão Heavy Metal, como nesse disco lançado em 1990.

Ouça: "Man In The Box"

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