sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

LIVING COLOUR - Time's Up (1990)


Um monstro de sete cabeças. Veloz, cadenciado, furioso, doce e dançante. O Living Colour produziu este trabalho em laboratório. Time's Up é um dos discos mais impressionantes da história do rock.

Depois de conseguir notoriedade com o excelente "Vivid" (1988), e também por rodar a praça abrindo shows para o Rolling Stones, o Living Colour já não era mais  "aquela banda de negões que tocava rock pesado". Eles já tinham um valor musical reconhecido por uma boa parte da galera. E isso parece que deu moral ao quarteto para dar uma esticada em seu repertório. E que moral! Longe de qualquer crueza datada ou proposta burocrática, o Living Colour tratou de arregaçar as mangas em um trabalho multidirecional.

O liquidificador começa com potência total na devastadora e esquizofrênica faixa-título, onde despertadores tocam simultaneamente, interrompidos por uma bateria que dita as regras. É uma demolição de segmentos com melodias exageradas.

Uma vinheta no intervalo anuncia o riff matador de "Pride" - uma das melhores músicas da banda - que remete ao som do disco anterior, por ter um aspecto mais Hard Rock. Embora seja sim, a maior influência do grupo, o Hard Rock soa coadjuvante em algumas partes desse trabalho. O que vem exemplificado em força maior na sensacional "Love Rears It's Ugly Head". Por incrível que pareça, muitos consideram essa música uma balada. Eu não. Ela é uma espécie de mutação entre o Jazz, o Blues e o Rock. E funciona perfeitamente pela brilhante interpretação de Corey Glover. Na letra, ele se diz desesperado por estar se casando, e pede assim, para que o amor mostre o seu lado “feio” e o convença de desistir dessa "loucura". 

Além de o grupo ser totalmente provido de bons compositores, ele ainda possui um time de craques individuais. Os quatro músicos são sensacionais. Mas não é aquele time de craques que só funciona no papel e dá resultados práticos que soam desnecessário. Muito pelo contrário. Talvez por ter essa medida exata entre a virtuose e o rock voraz é que Time’s Up bate na ponta do lápis. O disco se torna assim, uma atração integral. Ou seja, é daqueles discos que não se pula faixas. Não mesmo.

Como em todo e qualquer time de craques, há sempre a grande estrela. Apresento-lhes então: VERNON REID. Ouça "New Jack Theme" e tire as suas conclusões. A guitarra canta, grita, quase fala.

A fúria de Time's Up vem forte em "Elvis Is Dead", que não precisa de maiores explicações, e "Type" - que abriu os shows da banda no Brasil em 2007. Por falar nisso, foi com Time's Up que o Living colour apareceu no Brasil pela primeira vez, num dos melhores shows de rock que esse país assistiu - no finado Hollywood Rock, em 1992. Depois disso, a banda virou uma espécie de carta registrada de nossas produtoras - de dois em dois anos dá para conferir algum show deles por aqui. Presenças justificadas sempre com apresentações arrebatadoras, diga-se de passagem.

No fim do álbum, "Solace Of You". Onde a introdução lembra muito "Alagados" dos Paralamas do Sucesso (só que com batidas africanas).

Time's Up venceu o GRAMMY de melhor performance de Hard Rock, e alcançou os Tops no mundo inteiro. Mas o valor desse disco está muito além de simples premiações ou números. Hoje, olhando cuidadosamente a discografia da banda, podemos afirmar que entre a crueza de Vivid (1988) e a Psicodelia pesada de Stain (1993), a natureza artística do Living Colour nunca foi tão viva quanto em Time's Up. E isso é Tudo!

Ouça: Time's Up

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