Depois de vender 2 milhões de cópias no genial Mother's Milk em 1989, o Red Hot Chili Peppers decidiu mudar. Deram um pé na EMI, e assinaram com Warner. E depois se trancaram numa mansão com o produtor Rick Rubin por dois meses.
Pronto! Descoberta a fórmula do sucesso!
Essas mudanças foram suficientes para o grupo produzir um dos discos mais brilhantes da história.
Menos pesado do que o anterior, mas tão rock quanto qualquer outro, bloodsugarsexmagik foi o ponto alto de um estilo definido por muitos como funk o' metal. Mesmo dominado primeiramente no mainstream por Faith No More e Living Colour, esse estilo deu seu último suspiro aqui. Coincidentemente pela banda que já tinha o inventado antes.
A magia da banda - tão falada na década de 80 - está com M maiúsculo neste trabalho. As letras, a postura e o som dançante, fez deles a banda mais divertida do momento. Tarefa que não era tão fácil, pois o rock respirava o grunge. E que talvez, até por isso, o Red Hot Chili Peppers foi um caminho oposto à se seguir.
Com uma sonoridade mais On stage, bloodsugarsexmagik traz uma banda inspiradíssima. E as músicas possuíam algo especial. Elas tinham um formato excelente tanto para as rádios, como para funcionalidade de palco. É um disco muito bom para se ouvir nas rádios. E é muito bom para se ver ao vivo. Não é a toa, que para muitos, fizeram o seu melhor show no Brasil em 1993, no Hollywood Rock.
O disco traz Flea e Chad Smith com toda desenvoltura possível. Que conseqüentemente, dava a John Frusciante, uma tela enorme para suas pinceladas Hendrixianas. Exemplo básico na faixa-título, que traz um riff cheio de distorção e efeitos wah-wah. Ou no estouro maior de "give it away" - que possui um vídeo clipe meio louco, onde a banda aparece pintada de prata no meio do deserto.
A pancadaria de Mother's Milk vem em doses mais calculadas, nas vibrantes "My lovely Man" e - no outro hit - "Suck My kiss".
Mas a grande surpresa do disco é a inclusão de baladas. O RHCP que primava por composições enérgicas, resolveu arriscar em bloodsugarsexmagik. E talvez esse tenha sido o maior diferencial. Além de "breaking the girl", "under the bridge" foi o sucesso maior do grupo. A música ficou marcada pelo riff de guitarra, e pela letra de Kiedis - que fala de uma tal ponte num local meio barra -pesada de Frisco.
Ao todo, o disco vendeu 12 milhões de cópias. E foi uma febre quase que interminável. Lembrando que era um disco duplo (LP's).
O resultado do sucesso meteórico, trouxe algumas seqüelas ao grupo. Que perdeu Frusciante no meio da turnê - ele não tocou no Brasil -, e deixou Flea de molho por um ano, diagnosticado com fadiga crônica.
Mesmo assim, bloodsugarsexmagik virou a cabeça de uma molecada mais "descolada" - que trocou as calças jeans pelos bermudões e as bicicletas pelo skate - e se transformou no chiclete de todo um verão.
Muitos poderiam citar uma ênfase parecida, causada pela banda quase 10 anos depois em Californication. Mas digo com toda a certeza que tenho:
Se o Red Hot Chili Peppers pudesse ser definido por algo, certamente seria com esse trabalho de 1991.
Aqui sobram-se os tribais da capa, mesmo com as rosas ainda escondidas. Rosas essas, que viriam aparecer mais tarde em 1999.
Discaço.

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