Já se passaram 17 anos. Para quem não lembra, Ozzy Osbourne aterrissou no Brasil em 1995 para shows antológicos. Seria a primeira vez dele no país desde o Rock In Rio. E isso, só aconteceu porque ele estava no topo do foguete, guiado por seu sétimo disco de estúdio Ozzmosis. Mais uma vez, cercado por um timaço e com o espírito renovado.
A década de 90 foi especial para Ozzy Osbourne. Logo em 1991, ele invadiu o grunge com um vídeo clipe onde uma garota ficava submersa com as suas próprias lágrimas. “No More Tears” trouxe de volta toda aquela tietagem em torno dele e de sua carreira legendária. E justiça seja feita, o disco é excelente. Por outro lado, ele alegava não ter mais gás para palcos e viagens, e declarou que essa seria a sua última turnê - batizada de “No More Tours”.
Fim?
Nada disso. Bastaram apenas quatro anos para que ele reiterasse a idéia de voltar a ser um “rock star”. Em 1995, o Mr. Madman juntou-se a Geezer Butler e num “meio-sabbath” decidiu lançar o seu sétimo disco de estúdio: Ozzmosis.
Esse disco é uma espécie de resgate de Ozzy Osbourne. Lógico que muitos citariam o anterior No More Tears, como o disco que trouxe Ozzy de volta à praça. Mas foi com Ozzmosis que Ozzy Osbourne se “pariu” para uma nova vida, uma nova geração.
Ao contrário de 1991, o grunge estava praticamente extinto, o Britpop dominava o mercado, e o “Madman” surgiu balançando as prateleiras. Dominou as rádios, tocou no mundo inteiro - inclusive no Brasil - e voltou a ser capa de todas as revistas.
O álbum também supera o disco anterior em qualidade de composição. Ele é mais coeso. Mais bem definido e direcionado.
Com um amplo destaque para os harmônicos de Zakk Wyld – que se consolidava de vez como um guitar hero -, a épica “Perrry Mason” abre o trabalho com muito peso e letra sagaz. A música acabou se tornando o primeiro hit do disco e se consolidou como mais um clássico de sua carreira.
Com uma sequência mais melódica, “I Just Want You” – única música do álbum tocada no Brasil em 1995 - e “Ghost Behind My Eyes” remetem bastante a alguns momentos de seu primeiro trabalho, o clássico Blizzard Of Oz. E já “Thunder Underground” é o que se tem de mais pesado no disco. Guitarra com afinação baixa e pulsante, com um Ozzy ao melhor estilo “Ozzy” e um refrão pra lá de grudante.
Embora músicas como “My Jekyll Doesn’t Hide” destaquem os riffs massacrantes de Zakk Wyld, Ozzmosis se lapida em melodias bem tramadas e sonoridades orquestradas de pianos e solos de guitarras em “Old L.A. Tonight”, por exemplo. Por falar em “pianos”, Rick Wakeman (ex-Yes) é quem assina os teclados do disco.
O álbum foi gravado em quatro locais: nos estúdios 1995 at Guillaume Tell, em Paris (França), no Right Track Recording, Bearsville Studios e Eletric Lady Studios, ambos em Nova York.
Em 2002, mais precisamente no dia 25 de junho, o álbum foi acrescentado por duas faixas inéditas: “Fallin’ Whole World’s Down” e “Aimee”, esta última foi nomeada em homenagem à filha mais velha do Madman.
Mais um destaque: Lemmy do Motörhead colaborou na letra de “See You On the Otherside”, que foi sucesso radiofônico nos quatro cantos do planeta. Já "My Little Man" é uma composição de Steve Vai, que Ozzy decidiu escrever para o seu filho Jack. Essa música deveria ser para um projeto paralelo deles, mas acabou parando aqui.
Voltando ao show de Ozzy no Brasil em 1995; Foi no Festival Monsters Of Rock, que aconteceu nas cidades de São Paulo (Pacaembú) e Rio de Janeiro (Metropolitan). Para essa turnê, Ozzy Osbourne veio desfalcado do guitarrista Zakk Wyld, e trouxe o também excelente Joe Holmes.
Ouça: Perry Mason

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